Quando Annie fez a proposta
de 100 dias de sexo com o
marido, o jornalista Douglas
Brown vibrou, ficou feliz
mesmo. Muito sexo para
esquentar de novo a relação minada
pela rotina de 14 anos de convivência e
a atenção que duas filhas pequenas exigem.
Mas depois ficou preocupado. Aos
40 anos, quase sempre estava cansado
após o jantar. Daria conta da missão?
Consultam seus médicos. Use muito
lubrificante, dizem a ela. Para ele, a dica
é comer frutas cítricas e tomates, para
o sêmen não irritar a vagina de Annie.
Os amigos pensam que ele estava
louco. A família, no entanto, se entusiasma.
Com a maratona marcada para
começar no Ano Novo, o tema monopoliza
o Natal dos Brown. A mãe dele
dá de presente à nora uma calcinha
com o número 100 bordado. O presente
diverte uns e deixa outros constrangidos,
mas “oficializa” a história.
DIA 1 Dada a largada! A primeira
transa rola num quarto do hotel nos
arredores de Denver, a cidade do casal.
A calcinha bordada marcou a primeira
noite pouco ousada. Os dois riam da
coisa toda e se contentaram com um
sexo breve, quase um aquecimento.
DIA 3 Incenso aceso no quarto, Annie
vestindo lingerie bem sexy... e então
uma das filhas entra no quarto chorando,
querendo atenção. Foram muitos
minutos gastos em acalmá-la, com
Douglas de olho no relógio. Afinal, o
acordo deles era claro: pelo menos uma
transa a cada período de 24 horas. A
menina se acalmou e voltou para a
cama a tempo de o casal bater o ponto
do dia. E a primeira grande lição: transar
sempre com a porta trancada.
DIA 5 Ele resolve experimentar o
Viagra. Tem uma ereção animal de
mais de uma hora. Continua ereto
depois da transa, com Annie já dormindo
feliz. “Eu me senti com 18 anos de
novo, mas depois até fiquei preocupado,
achei que a ereção nunca iria parar”,
conta Douglas. Nas semanas seguintes,
ele usaria também o Cialis e o Levitra,
que define como diferentes por manter
um estado de pré-ereção durante 30
horas. Mas, para uma transa pontual,
prefere o Viagra, “mais poderoso em
menos tempo”.
DIA 7 Vão a uma feira da indústria
pornô em Las Vegas. Credenciado como
jornalista, ele arruma um passe para
Annie acompanhá-lo. Compram e
ganham brinquedos eróticos que seriam
muito úteis nas semanas seguintes.
DIA 11 Assistem a filme pornô e rejeitam.
Dão risadas das poses e se espantam
com dotes físicos do elenco, mas
nada leva ao tesão. TV desligada, demoram
a se excitar para a transa diária.
DIA 14 Viajam no final de semana
com as meninas. Numa pousada, transam
numa poltrona enquanto as filhas
dormem no quarto. É difícil encontrar a
posição certa. Caem no chão, riem abafado
para não acordar as filhas. Até que
ela se senta em cima dele, bem na ponta
da poltrona. Ele consegue se encaixar
dentro dela e faz devagar, em silêncio.
DIA 17 Annie capricha na lingerie.
Aposta numa matéria do
New York Times que exalta o
poder sedutor das anáguas.
Douglas sente sua mulher
com o desejo despertado.
Usa então outra lembrança de Las Vegas, uma toalhinha úmida que
ele põe em volta do pênis. “Deixa o
membro formigando, quente”, lembra
ele, que sentiu a ereção mais firme do
que o habitual. Ela aprova.
DIA 19 Eles não lembram mais de
quem foi a idéia, mas levam para o
quarto uma dessas bolas de plástico
grandonas, usadas nas academias
durante aula de pilates. O começo da
noite é desastroso. Antes que a sucessão
de tombos hilariantes quebre de vez o
tesão do casal, a posição certa surge
meio sem querer. No chão, eles empurram
a bola contra a cama e Annie inclina-se sobre ela. Douglas a penetra por
trás, e a elasticidade da bola permite
um vai-e-vem cadenciado e suave.
DIA 20 Uma combinação radical:
afrodisíaco, lubrificante e pornografia.
O afrodisíaco colocado embaixo da língua
funciona, eles se sentem tão desejosos
que mais uma vez dispensam o
filme pornô. Está claro que não são um
casal de gosta de ver, preferem fazer!
DIA 22 Tomam banho juntos, prática
que não rolava havia muito tempo. Ele
assoa o nariz e joga a meleca no chão,
quebrando o clima e deixando Annie
enfurecida. O sexo obrigatório do dia só
rola depois de muita discussão.
DIA 27 Mais uma tirada do baú de
Las Vegas. Ele usa um anel peniano
vibratório. Não sente muita diferença,
mas Annie adora. Na penetração, o
anel no pênis pressiona seu clitóris.
DIA 30 Douglas descobriria depois
que comer pouco é fundamental para
uma boa performance. Aos poucos vai
reduzindo o que põe no prato, principalmente
no jantar. Mãe sabe tudo e a
dele chega a repreendê-lo no jantar:
“Tome cuidado, querido, porque você
tem que dar no couro”. Isso é mãe.
DIA 35 Na redação da revista onde
trabalha, Douglas se sente perseguido
pelos olhares da menina moderninha
que usa piercings. Todos ali já sabem
da empreitada e as garotas começam a
olhar com muito interesse um homem que se propõe a satisfazer a mulher
por 100 dias seguidos. E ele curte.
DIA 45 FAZEM DEPOIS
DE ASSISTIR A SOPRANOS
NA TV, MAS DOUGLAS
NÃO
SABE SE ISSO REALMENTE
FEZ ALGUMA DIFERENÇA.
DIA 54 Impulsionado pelo Viagra,
Douglas alcança dois orgasmos numa
noite, algo que ele não lembra quando
conseguiu pela última vez. Com certeza
antes de as filhas nascerem.
DIA 55 Tomam banho juntos e ele
emplaca a segunda dobradinha.
Maravilhas da medicina, de novo.
DIA 56 Ela toma Viagra! Sente formigamentos
e o sexo é ótimo.
DIA 60 Douglas pega uma virose.
Irritado, briga com Annie. Toma meio
Levitra e faz sexo com raiva.
Definitivamente a pior transa da série.
DIA 63 Eles usam uma pena para
tocar o corpo um do outro. Foi uma boa
surpresa, porque Douglas achava que
seria um tédio. “Não foi incrível, mas foi
divertido. Eu tocava a minha mulher nas
costas, no pescoço, nos seios. Foi bom.”
DIA 65 Douglas vomita, vai para o
pronto-socorro, toma três remédios. A
maratona nunca esteve tão ameaçada.
À noite, protagonizam a mais rápida
das transas da série.
DIA 69 Desprezam a posição óbvia
do dia. Pensaram em fazer, mas não é a
favorita do casal. Mas Douglas conta
que fizeram muito sexo oral na maratona,
“talvez umas 90 vezes nesses dias”.
DIA 70 Vão a um parque de trailers
próximo a Denver e armam uma barraca.
Foi uma idéia de Douglas. Para
ele, fazer sexo numa tenda é voltar aos
15 anos, às primeiras transas.
DIA 74 Ela diz que quando goza vê o
número do dia como se fosse de néon brilhante. Annie brinca para esconder
que está exausta. Confessa que chega a
fantasiar com uma noite em que simplesmente
ligasse a TV e mais nada.
DIA 81 Depois de uma rapidinha
pela manhã, sentem que deveriam ter
variado mais os horários das transas.
Deixavam sempre para a noite, depois
que as filhas já estavam na cama. Nesse
dia, depois do lance matutino, ficam
descontraídos, sem responsabilidade.
DIA 91 Para Douglas, a transa mais
memorável foi ao ar livre. Num sábado,
escalam o monte Galbraith, a 40
km de Denver. Sob o céu muito azul,
olhando a cidade a mais de 2 mil
metros de altura, resolvem transar.
Não haviam planejado, nem tinham
uma toalha grande para deitar em
cima. Tiram todas as roupas e com
elas forram o chão. Faz frio, os corpos
estão arrepiados, mas transam gostoso,
sem pressa.
DIA 98 Na cabana da família, depois
de colocar as filhas para dormir, fazem
na frente da lareira. O som do fogo
estalando, os dois cada vez mais quentes
no sexo. Eles gostam disso, várias
vezes transaram com velas ao redor.
DIA 100 O último dia. Annie usa
novamente a calcinha que ganhou
no Natal. Mas muita gente telefona
para saber se já acabou, se eles conseguiram
ou não. Tudo isso atrapalha
o clima e eles vão para o quarto
sem o mínimo tesão. Disposta a não
usar ajuda da medicina no encerramento
da brincadeira, insistem nas
preliminares, mas não é fácil. Aos
trancos e barrancos, chegam ao
orgasmo às 23h28.
DIA 101 Os dois estão estranhos.
Aliviados, sim, e confusos. Parece que
a ficha ainda não caiu, eles conseguiram
o feito, mas não houve fogos de
artifício ou a entrega de um diploma.
Enquanto falam essas bobagens um
para o outro, surge a idéia de transar
mais uma vez, para quebrar o número
redondo. Então Douglas e Annie completam
101 dias de transas seguidas. |