3 patetas safra 2008
Os caras mais engraçados de Hollywood fazem piadas com os colegas
POR ELAINE GUERINI

Atores picaretas de um filme de guerra têm de encarar uma luta de verdade. Ben Stiller escreveu o roteiro do escrachado Trovão Tropical com Ethan Coen (metade dos oscarizados irmãos Coen) pensando num filme das antigas, do tipo estrelado por Peter Sellers. Para a parada, chamou os chapas de longos tempos: Jack Black e Robert Downey Jr., este caracterizado magistralmente como um soldado negro. Os três astros falaram sobre as filmagens da comédia, que estréia nos cinemas brasileiros no dia 30 de agosto.
ENTREVISTAS
Ben Stiller
Jack Black
Robert Downey Jr.

Como surgiu a idéia de fazer uma paródia sobre os filmes de guerra e tirar sarro de atores?
Surgiu há 20 anos, quando vários atores que eu conhecia estavam rodando filmes de guerra, como Platoon. E se gabavam de ficar em campos de treinamento, sem perceberem como era ridículo o jeito que se levavam a sério, como se estivessem numa guerra de verdade.

Tom Cruise está hilário no papel de um executivo do estúdio.
Por ser meu amigo, pedi que Tom lesse o roteiro sem compromisso. Eleé ótimo em comédias, apesar de não ter muita chance de atuar no gênero. E Tom topou na hora. Disse que seu personagem deveria ter mãos grandes e peludas. Aí comentei que seria legal vê-lo careca. Ele gostou e foi mais longe, com enchimentos para ficar com uma bunda enorme.

Como conseguiu controlar amigos no set?
Quando o cineasta está fora da cena, pode dizer com mais autoridade: faça isso, faça aquilo. Como eu era um deles no set, também vestia roupa de soldado, muitas vezes quando eu pedia uma coisa, eles rebatiam, sugerindo isso ou aquilo. Aí eu tinha de bater o pé e dizer: cara, isso não está aberto a discussão.

Você está sempre com a mesma cara nos filmes.
Tinjo o cabelo e injeto muito colágeno no rosto. Ei, a parte do colágeno é brincadeira.

Como se sentiu quando Stiller o convidou para viver o ator que solta gases o tempo todo? Lisonjeado. Gosto de escatologia, de piada suja. Até queria ter esse talento, de peidar na hora que quisesse. Mas não sou mágico nesse departamento. Tenho de esperar a natureza agir.

Impossível não se lembrar de Eddie Murphy na cena em que seu personagem interpreta uma família de gordos à mesa, na linha de O Professor Aloprado... Espero que Eddie tenha senso de humor. A platéia certamente fará essa associação, ainda que meu objetivo maior tenha sido ridicularizar a mim mesmo. E não a Eddie, que considero um gênio.

Quando é o primeiro a tirar sarro de si mesmo, impede que os outros o façam, não?
De certa forma, sim. Se não aceitasse esse papel, que é parecido comigo, as pessoas iriam pensar que outro ator estaria me imitando. Então, decidi que era melhor eu mesmo fazer.

Por que os atores são tão cheios de manias e exigências?
Porque somos criaturas frágeis. Mesmo tendo chegado lá, pensamos que tudo pode acabar a qualquer momento, que a platéia vai se encher de nós.

Tem um plano B, caso isso aconteça um dia com você?
Se tudo der errado, volto a morar com a minha mãe, na boa.

Pelo personagem ser australiano, é verdade que se inspirou em Russell Crowe?
Não, nada disso. É pura maldade o que estão dizendo.

Mal dá para reconhecê-lo, depois que seu personagem passa por “processo cirúrgico’’ para ficar negro.
Para não correr o risco de ser um ator metido, falando de seu método, prefiro admitir que não tenho o menor controle sobre as minhas criações. É como se tivesse um rádio na cabeça e, de repente, achasse a freqüência certa. Depois de encontrar a voz, tudo se encaixou. Até aquela peruca esquisita, que espero ver no Museu Robert Downey Jr. um dia.

Acha que a comunidade negra pode ficar ofendida com a sua sarcástica imitação?
Quando aceitei, sabia que teria de interpretar o personagem como Peter Sellers teria feito 35 anos atrás. Do contrário, seria melhor recusar. Se rolar controvérsia, não vou reclamar. Ando até chato de tão politicamente correto que estou.

Como se sente em Hollywood, agora que está por cima?
É como se estivesse transando na posição papai-e-mamãe. Na verdade, acho que já experimentei todos os altos e baixos. Só preciso manter a ansiedade sob controle.

E como você faz isso?
Caindo de cabeça nas artes marciais. Quando exigimos muito do corpo, a cabeça pára de pensar. E é tudo o que preciso.

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