As 7 dicas poderosas de como adiar seu casamento
Leia agora ou cale-se para sempre.

POR CELSO MIRANDA REPORTAGEM FELIPE VAN DEURSEN E RODOLFO VIANA ILUSTRAÇÕES MAURICIO PIERRO

As 7 dicas poderosas de como adiar seu casamentoGrana. Sexo. Família...
Enfim, está tudo em paz entre vocês! Pois é, e agora, justo quando você está pronto pra curtir a melhor parte do namoro, ela inventa de querer casar. Saiba como encarar essa que, para muitos especialistas e desocupados de plantão, é a última fronteira entre homens e mulheres e, de quebra, conheça...

1 INVERTA OS PAPÉIS
Ela sente que sente tudo!
O CASO: “Homens e mulheres reagem diferente em cada etapa do relacionamento”, diz o psicólogo Ailton Amélio da Silva, da USP. “Assim, é natural que, quando o namoro atinge uma certa estabilidade, as mulheres pensem: ‘É hora de casar’. E os homens concluam: ‘Tá tudo tão bom, pra que mudar?’ ” Mas, por que é assim? “Está relacionado àquilo que a formalização do relacionamento representa para cada um”, diz o psiquiatra Flávio Gikovate. “Se para elas casar é uma conquista no desenvolvimento pessoal, para nós a sensação é de rendição, de abandono.”

A DICA: tá certo que na hora de seguir os rituais tradicionais, homens e mulheres assumem (e esperam que o outro assuma) seus papéis costumeiros, muitos dos quais já superados no dia-a-dia. Agora, como usar isso a seu favor? A “estratégia do contrapé” – que, grosso modo, pode ser descrita como ir sistematicamente agindo de forma inversamente proporcional ao que ela espera de você diante de cada detalhe relacionado ao casamento – é simples e pode ser entendida com apenas um exemplo. Ela chega: “Vamos encomendar os convites?” Êba! Você não só diz que adoraria ir e que vai desmarcar todos os seus compromissos, como ainda pergunta se ela pode esperar a semana que vem, para dar tempo de seus primos de Araraquara chegarem para ir junto. Um sonho antigo, sabe? Ela vai entender.

2 TESTE O CONHECIMENTO
Ela pensa que pensa em tudo!
O CASO: os especialistas dizem que a decisão pelo casamento deve ser tomada depois de muita conversa e convivência, quando as individualidades estiverem reveladas e compartilhadas no dia-a-dia. E quando estiverem, ainda, garantidas por um compromisso conjunto com um futuro. Bonito, né? Agora, nosso desafio será resumir esse blablablá em algo que possa ajudar você a adiar seu enforca... Quer dizer, seu casamento.

A DICA: a mulher sabe bem a decisão que está prestes a tomar. Ela sonha com isso antes de você aparecer na vida dela e já imaginou cada detalhe sobre isso. Para enrolar as convicções da coitada, só há uma opção: o “teorema único do diversionismo sistêmico”. É assim: diga que pesquisou na internet, ou melhor, que leu numa revista um questionário que vocês devem fazer juntos e que o resultado mede a felicidade que vão ter para o resto da vida. Duvido que ela resista. Veja algumas questões:
1. Casar no civil é:
a) Obrigatório depois dos 18 anos
b) Obrigatório depois das 18 horas
c) Optativo para os padres
2. Separar amor do casamento:
a) É obrigatório para os padres
b) Na sociedade civil que se chama casamento só deveria ser constituído na forma de uma parceria estável
c) É um assunto que continua existindo. A dúvida é se isso deve ou não se transformar numa sociedade civil que se chama casamento

Entre as 148 questões que você vai submeter a ela nos próximos minutos, estão:
45 – Sobre o casamento, quais as três coisas mais importantes, segundo sua mãe?
109 – Por que os homens começam a roncar depois que casam?
Pesquisas mostram (e as revistas que você não leu comprovam) que, na média, uma mulher de bom senso desiste na oitava pergunta. A sua não vai esquecer o casamento, mas vai lhe deixar mais algum tempo solteiro. E feliz!

3 FILOSOFIA
Ela pensa que conhece o amor!
O CASO: quantas vezes ela diz que você não entende os sentimentos dela. Hã? Quantas? Então...

A DICA: a imaginação poética formulou, pela primeira vez, um dos enigmas que têm fascinado o Ocidente e sido o tema de nossos poemas, romances, comédias e tragédias: o amor é uma estranha combinação de fatalidade e liberdade. Pelo poder de um filtro ou de outra mágica qualquer que paralisa nossa vontade ou a muda, podemos nos apaixonar por um ser indigno e até perverso, como uma e outra vez diz Catulo Assim, o problema da existência do mal, e de sua terrível atração, aparece também no amor, por mais escandaloso que isso possa parecer a Platão e a seus discípulos. Se o amor como fatalidade nos põe diante do mistério do mal e do sofrimento – por que amamos a perdição –, o amor como liberdade nos depara com outro mistério não menos terrível: a mutação do sujeito em objeto e a deste em sujeito. De novo: no amor procuramos não tanto o conhecimento, como queria Platão, mas o reconhecimento – ao escolher o objeto de nosso amor, queremos que ele também nos escolha. A dialética da escolha erótica faz do objeto um sujeito, e o inverso. O amor propõe-se o impossível, mas esse é a condição do amor: fazer do você um ela. E do ela um você. Entendeu? Pois é, nem ela. Então bota dois aninhos de ciências sociais na mocinha e não se fala mais nisso!

O mão-fechada
Morrer com uma grana sempre foi uma das preocupações do assessor jurídico Herthon Dias, hoje com 30 anos, desde que começou a namorar Karine Lozich, também advogada, quando ambos tinham 18. Por isso, logo de cara, quando perguntavam sobre o casório, dizia: “Vou casar este ano e vocês pagam as contas, falou?” Karine tentava se justificar e Herthon ia renovando as desculpas: “O casamento? Ficou pra agosto. Pra gosto de Deus”. Foram dez anos, dez meses e 19 dias entre o primeiro beijo e o casamento, em 2006. Mas quem estava contando?

4 PONTOS FRACOS
Ela é boa demais pra mim!
O CASO: “Casar significa filhos, família, estabilidade, e os homens costumam resistir a essas idéias por mais tempo”, diz Alexandre Baz, psicólogo especializado em relacionamentos. “Vemos o casamento como um compromisso que aumenta não só nossas responsabilidades emocionais, mas também as financeiras”, diz. A possibilidade da vida de casado revela alguns de nossos medos mais secretos. Por isso, sentimo-nos mais seguros sozinhos.

A DICA: claro que não estamos sugerindo que você se autoflagele diante da mulher da sua vida: ah, eu sou um bosta, ah, eu sou um durango, eu não presto, eu isso, eu aquilo. Não é por aí. Se você guarda um rato morto debaixo da pia da cozinha, não precisa contar pra ela. Aliás, não conte nem pra gente. Foi um prazer e até a próxima encarnação. Mas lembrar sua gata daqueles pequenos defeitos que nós temos, das discretas máculas até que ajeitadinhas que cuidadosamente você viu nascer, cultivou e, por isso mesmo, não tá a fim de abandonar de uma hora para outra, pode ser um jeito para fazê-la sair do seu pé e pegar mais leve. Olhe aí a lista dos defeitos que pode ajudá-la a te olhar com outros olhos:
• Não goste de criança. Não maltrate, não xingue, não fale mal. Só não ligue e, por favor, não imite aquela voz abobada. Jamais pare diante de um carrinho de bebê no shopping. E odeie os desenhos da Pixar!
• Não entenda por que ela gostou de Closet (afinal, A Supremacia Bourne é muito melhor). Na lista de seus filmes odiáveis inclua ainda aquele
• Não Sei que Lá de Amélie Poulain e A Pequena Bobagem de Miss Sunshine. Ponha “relacionamento aberto” no seu perfil do Orkut.
• Sempre que ela e as amigas falarem da novela, espere a deixa, faça um silêncio cênico e diga: “Eu não assisto TV”. Mas tem que ser assim, com ar de superioridade.
• Complete as frases dela. Comece com as últimas sílabas, depois tente palavras inteiras e, quando se sentir seguro, passe para as sentenças mais complexas. Com alguma prática, você conseguirá contar uma história completinha como se fosse ela em dois meses. E muito antes disso ela já vai estar te odiando.
• Não jogue meias fora. Nunca. Furadas, sem par, qualsem elástico, sem espaço na gaveta, o importante é têlas aos montes.
• Deixe sites pornô entre seus favoritos.
• Casualmente comente: “Nossa, esse sapato que a Sandrinha me deu ainda me cabe!” Note- se: Sandrinha é sua ex. Note-se 2: vocês terminaram há seis anos. Ganho dobrado: você causa ciúme e usa sapatos velhíssimos. Decore – e cante sempre que ela estiver por perto – todas as músicas de Hermes e Renato. “Desde os tempos mais primórdios...”
• Ao encontrar velhos amigos da faculdade, excolegas de trabalho, a galera antiga da praia, apresente para ela como (anota aí pra repetir direitinho)“aqueles que compartilharam com lembranças indeléveis de uma época tão marcante da sua vida”. Mas tem que fazer isso umas 15 vezes com turmas diferentes. Ela vai amar.

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