Para que eu
quero descer
Keanu Reeves fala da versão mais violenta que
ele dá a um alien de 1951
POR MARCELO TOBIAS
A lista de refilmagens de clássicos da ficção científica ganha
um novo item com O Dia em que a Terra Parou, que
estreia em 9 de janeiro no Brasil. O filme original, de
1951, foi exibido dezenas de vezes na Sessão da Tarde
e transformou em figurinha fácil o robô prateado Gort, que
acompanha o alien Klaatu em sua missão na Terra: acabar com
as guerras e salvar a humanidade. Muita coisa mudou em 57
anos. A nova versão é barra-pesada, com um Klaatu bem mais
ameaçador na pele do galã sci-fi por excelência Keanu Reeves.
Em entrevista exclusiva, o ator havaiano falou sobre o filme e
suas paixões: ficção científica, quadrinhos, desenhos animados
japoneses e motos clássicas.
Você acredita
em ETs?
Sim. Como eles podem não existir?
O universo é tão vasto. Eu conheço
pessoas que já viram óvnis, seus carros
pararam de funcionar quando
eles apareceram. Mas não encontrei
ainda alguém que foi abduzido.
Já conhecia o filme original?
Eu adoro. Vi pela primeira vez com
uns 14 anos, numa velha TV preto e
branco. Fiquei impressionado com o
disco voador, a música assustadora,
o poder de parar tudo na Terra.
A história é relevante hoje?
Em 1951, o cenário era a Guerra Fria,
uma mensagem pacifista para umaépoca tensa. Klaatu tenta reunir os
líderes de todos os países da Terra e
não consegue. No nosso filme, Klaatu
vai julgar se a raça humana irá viver
ou morrer, é muito mais forte do
que uma mensagem ecológica. O
personagem chega a dizer: “Vocês
estão contra a parede. Precisam
mudar ou vão deixar de existir”.
Quais as diferenças entre o Klaatu
interpretado por Michael
Rennie e o seu?
O personagem original era mais… humano. Agora ele é mais alien.
Meus olhos ficaram diferentes, meio
anfíbios, eu acho. Tentei deixar claro
que era uma criatura dentro de um
corpo estranho. Klaatu se transforma
num humanoide, uma forma
completamente diferente de sua
aparência real. Para criar o personagem,
quis tirar todos os movimentos
naturais dos humanos. Pensei nessas
pessoas que fingem ser estátua
no meio da rua por uns trocados.
Klaatu não faz nenhum movimento
além dos estritamente necessários.
Fica paradão, gélido. Após algumas
horas filmando, eu queria correr do
set, dar uns pulos, cair na piscina.
Como começou sua paixão por
ficção científica?
Quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, eu brincava com Lego e ficava tentando
montar as naves de Star Wars.
Enlouqueci com o filme. Aí comecei
a ler ficção científica. Quando fiquei
mais velho, continuei fiel ao gênero,
mas lia coisas mais complexas, como
William Gibson. Leio sempre.
Gibis também, não?
Sim, muito. Comecei bem criancinha,
lendo Riquinho. Depois vieram
os heróis, Wolverine, Batman. Mergulhei
nas histórias de Frank Miller,
como O Cavaleiro das Trevas e Ronin.
E, lógico, Watchmen, do Alan
Moore. A paixão seguinte foi o anime.
Desenhos animados japoneses
me levaram para outro nível de
compreensão das histórias de aventuras,
coisas épicas, violentas.
Quais seus filmes favoritos?
Eu sempre amei filmes de ficção |