ENTREVISTA

ESTAMOS NO PARAÍSO!

A morena Luli Miller deixou a família na pequena cidade de Giruá, no Rio Grande do Sul, e guardou o diploma de farmácia na gaveta para virar atriz. Esteve apenas em duas novelas da Globo, Paraíso Tropical e Paraíso, mas sua beleza e talento não passaram despercebidos. Luli foi alçada ao - justíssimo! - posto de musa


 

Se você não é do tipo noveleiro, é provável que não a conheça. Essa gaúcha esteve em Paraíso Tropical, novela da Globo de 2007, e participa agora de Paraíso, em cenas de flashback. Mas guarde o nome dela, porque você ainda vai ouvir falar muito de Luli Miller. Talentosa e linda, o céu é seu limite. O melhor de tudo é que Luli não tem afetação. Pelo contrário: seu jeitinho é o dessas garotas simpáticas que a gente conhece na praia, no escritório, no bairro. Meiga, inteligente e tímida, é do tipo que faz todo homem querer proteger. Luli tem mais: tem estrela. Formada em farmácia, chegou meio por acaso à Globo. Fez um contrato com a emissora e mudou para o Rio de Janeiro para investir na nova carreira. Se tem uma má notícia a ser dada sobre Luli, é a que ela nos contou dias antes de nosso fechamento. A gata, que estava solteira, começou a namorar. Perdeu, playboy.

POR CLÁUDIA DE CASTRO LIMA

Você nunca tinha feito fotos tão sensuais, né? O que achou do ensaio?
Estava um pouco apreensiva, porque era a primeira vez que fazia fotos assim. Mas eu já conhecia o trabalho do Marcelo [Faustini] e, quando vi a locação e o figurino, e vi que tudo era lindo e de muito bom gosto, relaxei de vez. Fiquei muito feliz com o resultado, estava com medo de ficar vulgar. É fácil pecar nesse sentido.

No dia-a-dia, você é esse mulherão que as fotos mostram?
Que nada, não me acho nem um pouco mulherão. Não sei o que os outros acham, mas não tento passar essa imagem. E não é só porque sou do tipo mignon [1,63 m]. É que, por exemplo, nunca uso nada decotado demais. Sou do tipo jeans e camisetinha básica. Faço o gênero mais descolada, não muito preocupada. Nas fotos a gente cresce. Mas eu não bancaria isso de "ah, tenho corpão", essa coisa de ser mais provocante.

Você parece ser bem tímida...
É, sou mesmo. E isso já me prejudicou muito. Na época da faculdade, por exemplo, quando não conhecia as pessoas, tinha muita dificuldade de me entrosar. Chegar em público me dava um certo pavor. Mas o teatro tem me ajudado muito, porque você fica o tempo todo exposta e tem de enfrentar seus medos.

Você está fazendo teatro agora, mas é formada em farmácia. Como foi parar na TV?
Quando estudava farmácia na Federal do Rio Grande do Sul, já fazia alguns trabalhos como modelo, sem nunca pensar em levar a sério. Mas, quando me formei, de estudante passei a ser desempregada. Pensei em ir para São Paulo trabalhar e ver no que dava. A ideia era ganhar dinheiro e voltar para o Sul para abrir meu negócio. Daí fui convidada para testes para a Oficina de Atores da Globo. Fiz um, passei, fiz a oficina e em poucos meses me chamaram para um teste para a novela. Foi quando ganhei a Gilda, da novela Paraíso Tropical[em 2007]. Tudo foi muito rápido.

Você atribui isso a quê? Àquela coisa de lugar certo e hora certa?
Me considero uma pessoa de sorte. Acho que as coisas sempre acontecem para mim. E isso tudo de virar atriz foi no momento certo, quando eu estava aberta para isso. Se eu estivesse estudando, talvez nada disso tivesse acontecido. E, se eu soubesse, não teria estudado tanto, tanto, tanto na faculdade, como fiz.

Você se assustou com o sucesso repentino?
Como foi tudo muito rápido, não deu nem tempo de ter medo. Só depois é que pensei nisso. Ainda bem que foi assim, porque quando a gente pensa demais não deixa as coisas acontecerem. Hoje sei que tenho muito chão pela frente, tenho muito o que batalhar ainda.

Você é perfeccionista?
Sou muito exigente comigo mesma. Não aceito erros. E em meu trabalho enfrento uma exposição muito grande. Estava aprendendo a ser atriz, e estou ainda, e isso na frente de todo mundo.

Você trocou o Sul pelo Rio de Janeiro. Dá saudade da família?
Meus pais moram em Giruá. Nasci e cresci lá e fui com 16 anos estudar em Porto Alegre, onde dois dos meus cinco irmãos já estudavam. Como eu morava com eles, tínhamos a nossa casa, então continuava aquela coisa família. Quando fui para São Paulo, sabia que era temporário, que voltaria para o Sul. Mas, com a novela, fui para o Rio e não voltei mais desde 2007. E é longe demais! Adoro o Rio, mas é difícil não ter família. Minha casa sempre foi cheia. Então comecei a me sentir muito sozinha.

Bateu a carência?
Sim, muito, ainda bate. Quando isso acontece, eu ligo para meus pais. Você não imagina quanto gasto de telefone... Eu adoro um colo. Mas este ano eu resolvi assumir que o Rio é minha cidade. Vou sair mais, fazer novos amigos. Estou fazendo curso de teatro e me adaptando melhor.

Então quer dizer que você abandonou mesmo a farmácia?
Devo tudo à minha nova profissão. Estou realmente apaixonada por ela. Mas o diploma de farmácia está lá, quietinho, na gaveta. Não descarto a possibilidade de voltar para ela.

Como foi sua infância numa cidade pequena?
Ah, era aquela coisa de ficar na rua até tarde da noite. Nunca fui de brincar de boneca. Achava as brincadeiras dos meninos muito mais divertidas. Mas comecei a crescer e meu pai disse que eu não podia ficar andando mais só com os meninos, que eu estava virando uma mocinha. Vai ver ele percebeu que os meninos estavam olhando para mim de um jeito diferente. Mas eu nem prestava atenção nisso.

Você era danada?
Fui uma boa filha, uma boa irmã. Não aprontei muito, não. Meu primeiro beijo foi com 16 anos e foi com um amigo dos meus irmãos. Ele estava na mesma festinha que eu. Só que meus irmãos também estavam. Eles não gostaram muito da situação, quiseram me tirar de perto do menino. Para homem, é horrível um cara ficar com a irmã.

Você sempre teve namoros longos ou é mais de ficar?
Sempre fui de namorar, e namoros longos. Não tive a fase da noitada com as amigas. Só no meu primeiro ano em Porto Alegre que saí muito com meus irmãos. Logo comecei a namorar. Mas não senti falta. Sou caseira mesmo.

Você não gosta de baladas então?
Não sou da noite, não adianta. Mas agora estou me sentindo sozinha e estou me esforçando para sair mais com os amigos, vou jantar muito fora, vou muito ao cinema. Antes as pessoas me convidavam para um programa assim e eu já dizia não. Hoje não digo tanto não. Eu sofro antes de sair, não quero, mas sempre que saio me divirto. Temos que mudar, estar aberta para coisas novas. É isso que estou fazendo.

Como uma farmacêutica, você faria um remédio para quê?
Se eu pudesse fazer um remédio para alguma coisa, seria para curar a saudade, porque ela dói demais. Se bem que a saudade que temos é sempre de uma coisa boa, um amor que a gente teve.

Você está com 31 anos. Teve a fase da crise dos 30?
Sabe o que acontece quando a gente tem essa idade? Os homens acham que a gente só quer casar. Eu não tenho pressa nenhuma disso. Mas penso em ter um filho. É, pensando bem, daqui a pouco tem que vir um casamento, porque estou na idade de ter filhos. E temos que escolher um bom pai, não só um bom marido. Nossa, se começar a pensar, dá desespero. Acho que estou em crise, sim!

Mas você gosta da sua versão 3.0?
Muito. Sempre fui protegidíssima, meio criançona até. Comecei a crescer quando saí do Sul. Quando fui para São Paulo e decidi que ia ser independente, conquistei isso. Estou buscando minhas coisas, mas me sinto criançona ainda. Quero sempre um colinho. Mas não me trocaria por mim aos 20 anos. Sou muito melhor hoje.

O que você quer de um homem?
Não sei o que quero. Sei o que não gosto. Não gosto de homem saliente, aquele que fala mais alto na roda de amigos, o que quer aparecer. Pode até ser lindo, mas, se for assim, saliente, eu nem olho. E homem pesado não dá. Gosto de caras leves, bem humorados. Cantadas não funcionam comigo. Sempre conheci meus namorados por meio de outras pessoas. E nunca me apaixonei à primeira vista. É sempre um processo. Tenho de conhecer, conversar, gostar...

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